18 de Outubro – Dia do Médico

Dia do Médico é comemorado em 18 de outubro no Brasil, data instituída para prestar homenagens a todos esses profissionais muito presentes em nossas vidas. A escolha da data não é casual; é uma homenagem a São Lucas, patrono dos médicos desde o século XV.

A profissão de médico não poderia ter patrono mais adequado! Lucano ou Lucas, São Lucas para os cristãos de denominação católica, é autor de um dos Evangelhos sinóticos, de rico teor histórico. Sua história profana e mística é tema do romance de sucesso “Médico de Homens e de Almas” escrito pela britânica Taylor Caldwell (1900-1985) e publicado no Brasil pela Editora Record.

“Lendas antigas o descrevem como uma pessoa fora do comum, a quem são atribuídos milagres e prodígios antes mesmo de sua conversão ao cristianismo. (...) Taylor Caldwell combina imagens de um dos mais importantes ícones da igreja cristã primitiva, caracterizado pela constante preocupação com o sofrimento de enfermos, oprimidos e pobres. (...) Lucas foi, antes de tudo, um grande médico, e quase todos os acontecimentos narrados neste livro são autênticos - o cenário do início da vida de São Lucas, a idade adulta e sua busca, bem como fatos relacionados à sua família. (...) É a história da peregrinação de todos os homens através do desespero e das trevas da vida, do sofrimento e da angústia, da dúvida e do cinismo, da rebelião e da desesperança até a compreensão de Deus” (trechos da resenha da editora).

Todas as profissões são nobres. O médico, no entanto, ocupa um lugar de destaque na mente e coração de todos, porque tem uma ligação direta com a vida. Como o professor, sua profissão tem uma relação especial com as pessoas ligada ao binômio central da vida de todos os cidadãos: a educação e a saúde.

Lembremos que profissão e professor têm a mesma raiz. De acordo com o Dicionário Houaiss, o primeiro sentido de professor é “aquele que professa uma crença, uma religião”. E o primeiro sentido de profissão é “ação ou resultado de professar, de reconhecer publicamente, de jurar”.

O clássico juramento de Hipócrates, o Pai da Medicina, contém a essência dessa profissão escolhida por muitos médicos como o seu sacerdócio e missão para a vida toda. Transcrevemos abaixo parte dele.

“Juro por Apolo Médico, por Esculápio, por Hígia, por Panaceia e por todos os deuses e deusas que acato este juramento e que o procurarei cumprir com todas as minhas forças físicas e intelectuais, honrarei o professor que me ensinar esta arte como os meus próprios pais; partilharei com ele os alimentos e auxiliá-lo-ei nas suas carências, estimarei os filhos dele como irmãos e, se quiserem aprender esta arte, ensiná-la-ei sem contrato ou remuneração. A partir de regras, lições e outros processos, ensinarei o conhecimento global da medicina, tanto aos meus filhos e aos daquele que me ensinar, como aos alunos abrangidos por contrato e por juramento médico, mas a mais ninguém. A vida que professar será para benefício dos doentes e para o meu próprio bem, nunca para prejuízo deles ou com malévolos propósitos. (...) Em todas as casas em que entrar, fá-lo-ei apenas para benefício dos doentes, evitando todo o mal voluntário e a corrupção (...) guardarei silêncio como um segredo religioso, se eu respeitar este juramento e não o violar, serei digno de gozar de reputação entre os homens em todos os tempos; se o transgredir ou violar que me aconteça o contrário.”

A AMIB-Associação de Medicina Intensiva Brasileira diz que ser médico é olhar para o paciente além da patologia. É entender sua aflição e procurar responder a todas as suas dúvidas de forma clara e humana. É saber que ele, o paciente, é bem mais do que um corpo e entender o valor de sua família e suas relações afetivas. É ver este como um ser humano integral que merece viver com dignidade e qualidade de vida.

Ser médico é interagir com a família do paciente nos momentos de aguda e extrema angústia. É sofrer com o paciente e sua família quando perdas acontecem. Mas é também emocionar-se com o paciente e os seus a cada conquista alcançada. É viver um papel central nos momentos em que a tristeza de uma perda ou a vitória de uma cura afetam a vida do paciente e de seus entes queridos.

De verdade, ser médico é alternar o papel com seu paciente, praticar a empatia, ora sendo o protagonista da história, ora sendo o coadjuvante, ora sendo um, ora sendo o outro. Em outras palavras, ser médico é exercitar a alteridade e, ao final da jornada – de um dia ou da vida toda – sentir o indecifrável sentimento de que valeu a pena ter vivido pelos outros.

Mas não se pode esquecer que o médico é também uma pessoa. É filho, irmão, pai, avô, amigo, ou tudo isso ao mesmo tempo. Sofre ou se alegra tanto quanto o mais comum dos mortais. Comete erros e acertos, precisa de compreensão e de elogios e incentivos. Como um cidadão comum, tem compromissos de toda ordem. Possui sonhos e aspirações, fracassos e frustrações. Amam, sofrem, riem, choram, cantam, dançam, trabalham, cansam. 

A todos os médicos, que dedicam à vida de seus semelhantes o melhor de suas vidas, em muitas oportunidades à custa de muito sacrifício pessoal e familiar, a nossa homenagem.

Woson

Biossegurança com responsabilidade.

Escrito por:

  • Depoimento - Waldomiro Peixoto
    Waldomiro Peixoto
    Consultor Técnico Woson