Central de Esterilização

Central de esterilizaçã0( Parte I)

A esterilização é um ponto crítico na Odontologia. O processamento de artigos para este fim não é aleatório; deve seguir um protocolo de procedimentos. É importante ressaltar que, apesar da esterilização se consolidar em processo físico, existem etapas essenciais que não podem ser negligenciadas. Desta forma, segue-se descrição de etapas que devem ser realizadas anterior e posteriormente à esterilização propriamente dita.

Todo serviço odontológico deve ter um espaço destinado ao reprocessamento de instrumental que conste, no mínimo, de uma pia exclusiva (funda necessariamente) para lavagem de instrumental e ultrassônica, bancada para secar, embalar, aparelho esterilizador – AUTOCLAVE - e gavetas e/ou armários para o acondicionamento dos instrumentais estéreis. Segundo normas da Vigilância Sanitária de São Paulo, este espaço é dimensionado de acordo com o número de unidades de trabalho do estabelecimento. Entende por “unidade de trabalho” o conjunto composto de cadeira odontológica, equipo, unidade auxiliar, refletor e mocho normalmente operado por um cirurgião dentista e uma auxiliar odontológica.

O espaço denominado Central de Esterilização deve ter um fluxo unidirecional de trabalho, onde os artigos a reprocessar seguem caminho passo-a-passo sem retorno ou etapas negligenciadas. Didaticamente, divide-se a Central de Esterilização em seis partes:

  • Pré-lavagem
  • Lavagem
  • Secagem / Inspeção visual
  • Barreira / Embalagem
  • Esterilização / Monitoração da Esterilização
  • Acondicionamento

 

O espaço físico deve ser delimitado em 2 áreas:

  • Área Contaminada (pré-lavagem, lavagem) secagem e embalagem)
  • Área Limpa (secagem, embalagem, esterilização, monitoração e acondicionamento)

 

O fluxo correto de reprocessamento dos materiais, sempre unidirecional, é indispensável, de forma a não misturar materiais sujos, limpos e estéreis, mantendo a cadeia asséptica.

 

PRÉ-LAVAGEM

Antes de qualquer ação deve-se considerar que TODOS os artigos estão contaminados com matéria orgânica visível ou não e devem ser limpos adequadamente. Assim, a passagem de todos os artigos e instrumentais num jato de água corrente é fundamental para facilitar a limpeza posterior. A pré-lavagem é a etapa que antecede a lavagem (limpeza) e deve ser realizada com todos os artigos que serão reprocessados por meio de imersão em detergente enzimático durante 5 a 10 minutos. Esta imersão deve ser completa, de forma que todo o instrumental tenha total contato com a solução enzimática pelo período determinado. A imersão deve ser feita em recipiente plástico com tampa ou diretamente na cuba ultrassônica.

Importante: não utilizar nessa etapa nenhum desinfetante (glutaraldeído 2%, álcool 70% ou em hipoclorito).

 

LAVAGEM

A lavagem (limpeza) é a etapa mais importante nos processos de esterilização e desinfecção, já que resíduos de matéria orgânica – biofilme – visíveis ou não, podem proteger micro-organismos causadores de infecção no instrumental clínico e cirúrgico. O processo de limpeza remove o material orgânico e inorgânico acumulado, como sangue, saliva, restos de materiais.

A literatura mundial aponta, há mais de uma década, a estreita correlação entre o biofilme e a esterilização e desinfecção de artigos.

A permanência do biofilme nos instrumentos pode inviabilizar os processos de esterilização, isolando os micro-organismos do agente esterilizante. A desinfecção de qualquer instrumento também estará comprometida caso a limpeza não seja eficiente. Ressalta-se que a limpeza do artigo contaminado, após sua utilização, deve ser iniciada o mais rápido possível para que não ocorra ressecamento da matéria orgânica, manchas e pontos de corrosão do instrumental. A lavagem dos artigos pode ser feita de 2 formas:

  • Manual – com escovas de material plástico com cabo. Jamais utilizar esponjas ou palhas de aço, bem como insumos e/ou materiais abrasivos para que não retire a camada passiva do aço que protege e o mantém íntegro.
  • Automatizada / Ultrassônica – a lavagem ultrassônica é mais eficaz que a limpeza manual e deve-se optar por ela sempre que possível.

 

SECAGEM / INSPEÇÃO VISUAL

A secagem é etapa que não deve ser esquecida e faz parte do correto preparo dos artigos para posterior desinfecção ou esterilização. Realizar imediatamente após a lavagem utilizando-se papel-toalha, segundo normas da Vigilância Sanitária.

 

A inspeção visual é de extrema importância e deve ser realizada logo após a secagem do instrumental. Essa fase ratifica a eficácia da limpeza realizada no início do reprocessamento e recomenda-se fazer com lentes de aumento (lupas).

 

EMBALAGEM / BARREIRA

A embalagem/barreira dos materiais é etapa essencial para garantia do sucesso no processo de esterilização e, sobretudo, pós-esterilização. Existe no mercado odontológico uma gama enorme de materiais utilizados como embalagem para esterilização, porém, não se pode esquecer que a principal finalidade da embalagem para esterilização é funcionar como barreira e garantir que o instrumental permaneça estéril até o momento de seu uso.

Barreira é termo atualmente adotado pelos especialistas em esterilização. A falta de informação e a intenção de “economizar” levam grande parte dos profissionais da área odontológica a escolher equivocadamente o material empregado na barreira. Por conta disse, seguem algumas opções viáveis de barreiras de esterilização preconizadas pela ANVISA:

  • Não-tecido: Spunlace e SMS – Spunbondeb Meltblown Spunbondeb
  • Papel crepado
  • Papel Grau Cirúrgico
  • Caixas Perfuradas envoltas por grau cirúrgico

 

Papel Grau Cirúrgico – Está disponível em formato auto selante ou em bobinas. Neste último, deve-se utilizar seladora que garanta 10 mm de selamento, no mínimo. Ficar atento ao grau de aderência entre as duas lâminas. Fraca aderência possibilita abertura de pacotes durante a autoclavagem ou manipulação dos pacotes, levando à recontaminação do material esterilizado.

Papel Crepado - Utilizado em serviços odontológico de larga escala e substitui o tecido de algodão. Para utilização do papel crepado, o profissional deve dominar a técnica asséptica de dobramento do papel e execução do pacote para que não ocorra contaminação dos artigos no momento de abertura.

(Continua).

Texto escrito por:

  • Depoimento - Dra Lusiane Borges
    Dra Lusiane Borges
    Cirurgiã-Dentista, Biomédica, com especialidade em Microbiologia, Epidemiologia, MBA em Esterilização.