Dia Mundial da Lavagem das Mãos - Esta Campanha Salva Vidas

“Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba! Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia! As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.” (Excerto de As Mãos, texto clássico de Michel de Montaigne, escritor humanista, jurista, político e filósofo francês, que viveu de 1533 a 1592)

Quando nos levantamos e sentamos à beira da cama, um dos primeiros gestos de nosso longo dia é com as mãos. Espreguiçamos com pernas, braços e mãos. Bocejamos. Do bocejo participam a boca e as mãos. Vamos ao banheiro e nossos primeiros atos são feitos... com as mãos.

Se entramos no banheiro, abrimos o vidro do box com elas. Com elas giramos a torneira do chuveiro, sentimos a temperatura da água, pegamos o sabonete e a bucha. Com elas fazemos espuma, lavamos e enxaguamos todas as partes de nosso corpo.

Saímos do banho, fazemos nossa higiene bucal, pegando a escova, o fio dental, o enxaguatório, levamos tudo à nossa boca para escovar dentes, gengivas e língua utilizando as mãos. Mãos e boca, companheiras inseparáveis!

Barbeamo-nos, passamos creme, desodorante, nos penteamos, olhamos a face de um lado e de outro, pegamos o espelho menor e damos uma revisada em nossa aparência no espelho maior, ajeitamos as mechas com a ponta dos dedos... Assim, segue o ritual de todas as manhãs.  

Ainda em jejum, já várias vezes pusemos e tiramos coisas de nossa boca com as mãos. Chega a hora do café da manhã, damos um beijo nas pessoas e, com a mão no ombro delas, desejamos-lhes bom dia. Puxamos o encosto da cadeira, ajeitamos a toalha, pegamos a xícara ou copo, a garrafa de café, o leite, a jarra de suco, a faca, o pãozinho, a manteiga, o queijo, a muçarela, o presunto, descascamos a fruta, cortamos em pedaços e comemos. Com as mãos, pela boca, alimentamos nosso corpo!

Escravos de nossos hábitos, olhamos o celular, consultamos ou mandamos mensagens, respondemos, olhamos vídeos, seguramos a telinha e digitamos com o quê? Em muitas oportunidades, café e celular se misturam, sem nos darmos conta de que acabamos de higienizar as mãos para levar muitas coisas à boca, mas o intruso eletrônico está ali, não higienizado, se metendo no meio de tudo e recontaminando o que ingerimos.

Despedimo-nos, pegamos a bolsa e a chave, abrimos portas e portões, acionamos controles remotos, damos partida girando a chave, ligamos o rádio, pegamos na direção e no câmbio e tocamos as mãos sabe-se lá em que partes do veículo! Colocamos máscara, ajeitamo-la no rosto, por vezes nos coçamos, tocamos o nariz e os olhos durante o trajeto entre nossa casa e o local de trabalho.

O dia segue. Tomamos água, café, lanchamos e beliscamos aperitivos. Mãos e bocas continuam parceiras em praticamente tudo que fazemos. Vamos ao banheiro, tocamos em centenas de objetos com as mãos e a levamos à boca, aos olhos, ao nariz. Aquela coçadinha no ouvido...

Com as mãos cumprimentamos, acenamos, escrevemos, digitamos, desorganizamos, organizamos, apontamos, nos expressamos, nos comunicamos, abrimos e fechamos portas, afagamos, agredimos, xingamos, oramos, sujamos, limpamos... Elas não param um segundo sequer.

Vencidos pelo cansaço, nos deitamos. Com as mãos postas, oramos; com a boca balbuciamos nossas orações. Dormimos. Durante nosso sono, reparador ou não, as mãos e a boca continuam trabalhando, menos, mas continuam...

As mãos e a boca são a ponte de comunicação de nosso corpo com o mundo, para o bem e para o mal. Sem elas, a vida seria outra coisa. Por isso são tão importantes e precisam de cuidados especiais.

DIA 15 DE OUTUBRO – DIA MUNDIAL DA LAVAGEM DAS MÃOS

Esta data comemorativa, instituída pela ONU – Organização das Nações Unidas em 2011, tem a finalidade de chamar atenção sobre um gesto comum e muito simples – lavar as mãos – mas que tem sido habitualmente negligenciado pelas pessoas. Todos precisamos da consciência de que a lavagem das mãos de forma correta, com água e sabão, diminui o número de doenças e mortes causadas por doenças infecciosas. Milhares de vidas serão poupadas com este simples gesto e hábito.

A pandemia da Covid19, que ceifou milhares de vidas, trouxe a consciência de que, junto com o uso de máscaras e o isolamento social, lavar as mãos se tornou o pilar central no combate à disseminação de doenças infecto contagiosas, hábito defendido há centenas de anos pelos profissionais da Saúde, porém não levado a sério como deveria por grande parcela da população. O ser humano quando não aprende pelo amor, acaba aprendendo pela dor.  

Mãos limpas salvam vidas. O sabão e seu uso correto são prioridades básicas para a saúde individual e coletiva. Junto com os produtos que auxiliam no controle das infecções, o seu uso é cultural e depende de educação para ser usado como deve. Essa educação e aculturamento começa na idade infantil e há uma relação direta com a interação com os adultos, que têm a responsabilidade de dar o bom exemplo para reforçar a formação do hábito. E as empresas e instituições, que têm razão social, precisam se engajar nessa campanha educacional. É dever de todos, sem exceção.

Os microrganismos – bactérias, protozoários, fungos, vírus etc. – são envolvidos pelo elemento tensoativo dos detergentes, xampus, sabões e sabonetes. Há substância detergente nos dentifrícios e enxaguatórios bucais. Quando higienizamos nossas mãos com sabão da forma correta, usamos fio dental, bochechamos enxaguatórios bucais e escovamos dentes, língua e mucosas da boca, os microrganismos são envolvidos e eliminados durante o enxágue. Aqui está a importância de lavar as mãos antes de usá-las para algum tipo de ação que nos coloca sob risco de contaminação. 

Como lavar as mãos? Usando sabão ou detergente, esfregando as palmas das mãos, os dedos inteiros, cuidadosamente suas pontas e unhas e os espaços entre eles. O sabão deve ser bem enxaguado e as mãos enxutas com um pano limpo.

Quando lavá-las? Antes e após o preparo de alimentos, antes de comer, antes e após tratar qualquer machucado, principalmente em crianças, antes e depois de entrar em contato com pessoas doentes, sempre antes da higiene bucal e sempre antes e depois de usar o banheiro. Quando do exercício de atividades profissionais, deve-se seguir os procedimentos padrões recomendados pelo protocolo orientado pela profissão.

Para saber mais sobre lavagem técnica das mãos, em atividades de Saúde, sugerimos a leitura do e-book, publicado no auge da pandemia da Covid19, Manual de Boas Práticas em Biossegurança para Ambientes Odontológicos, com apoio do CFO – Conselho Federal de Odontologia: https://website.cfo.org.br/wp-content/uploads/2020/04/cfo-lanc%CC%A7a-Manual-de-Boas-Pra%CC%81ticas-em-Biosseguranc%CC%A7a-para-Ambientes-Odontologicos.pdf.

Ah, as mãos! O poema Mãos Dadas, de Carlos Drummond de Andrade, não poderia ser mais atual. “Não serei o poeta de um mundo caduco / Também não cantarei o mundo futuro / Estou preso à vida e olho meus companheiros / Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças / Entre eles, considero a enorme realidade / O presente é tão grande, não nos afastemos / Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas / (...) / O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes / A vida presente.”.

Não nos esqueçamos de estender as mãos a quem precisa, no sentido figurativo e, também, no físico, amparando, conduzindo, orientando, acudindo e levantando pessoas com necessidades especiais... mas sempre higienizando as mãos antes e após a boa e necessária ação. Sobretudo, vamos dar uma mão à prevenção. Este é um ato de amor, possível e factível, a cada um de nós.

Reiteramos: mãos limpas salvam vidas. A Woson, preocupada com informações de qualidade, apoia a campanha do Dia Mundial de Lavagem das Mãos.

Woson 

 Biossegurança com responsabilidade.

Escrito por:

  • Depoimento - Waldomiro Peixoto
    Waldomiro Peixoto
    Consultor Técnico Woson