Fumo, Tabaco e COVID-19. Essa Guerra é Nossa!

No dia 29 de agosto é comemorado, no Brasil, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma data instituída em 1986 pela lei nº 7.488, criada para conscientizar e mobilizar a população sobre os riscos decorrentes do uso do cigarro.

Em 1987, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o dia 31 de maio como o Dia Mundial sem Tabaco (World No Tobacco Day), com a finalidade de “alertar sobre as doenças e mortes relacionadas ao tabagismo.” (Nota Técnica do INCA – Instituto Nacional do Câncer José de Alencar Gomes da Silva)

O consumo de fumo ou de produtos oriundos do tabaco são tecnicamente distintos, mas estão tão intimamente relacionados que o senso comum não distingue um do outro e os males decorrentes também se confundem.

Em 2020, o INCA deu início à realização da campanha contra o tabagismo, associada à Covid-19, com o tema “Tabagismo e Coronavírus (Covid-19)” e os motivos são óbvios. É fundamental levar em conta, neste momento crucial para os países afetados pelo Novo Coronavírus, que a campanha contra o tabaco associada à Covid-19 tem relação direta com a redução da imunidade e o comprometimento das vias respiratórias. Esta é uma preocupação central em todas as sociedades.

O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco, usados de várias formas: fumado, inalado, aspirado, mascado ou absorvido pela mucosa oral.

Conforme OMS, é um fator de risco para o câncer de bexiga, pâncreas, fígado, colo de útero, ovário, esôfago, rins, ureter, laringe, traqueia, brônquios e pulmões, boca e cavidade oral, faringe, cavidade e seios nasais, estômago, cólon e reto, e leucemia mieloide aguda, além de facilitar o surgimento das moléstias tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade, osteoporose, cataratas etc.

O cigarro e os produtos derivados do tabaco afetam uma grande parcela da população mundial, algo que poderia ser reduzido drasticamente se este produto viciante pudesse ser evitado. É uma questão de informação, conhecimento, consciência, educação e... saúde pública.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta. Estima-se que cerca de 200.000 pessoas morram todo ano, só no Brasil, em decorrência do fumo. Esse valor, de forma bem conservadora, salta para cerca de 5.000.000 em perspectiva mundial. Os dados de 2019 indicaram que o consumo de tabaco matou cerca de 8.000.000 de pessoas por ano, se levados em consideração fumantes diretos e indiretos.

Do ponto de vista da Economia Pública, os vícios associados ao tabaco são um desastre! Só no Brasil, estima-se que o tabagismo gera uma despesa anual de cerca de R$ 60 bilhões contra uma arrecadação de impostos de cerca de R$ 14 bilhões ao ano. Um prejuízo em torno R$ 46 bilhões, que pode aumentar com a pandemia da Covid-19, por terem, pandemia e tabagismo, relação estreita com vias respiratórias.

Estudos indicam que somente na fumaça do tabaco encontram-se “mais de 4.700 substâncias tóxicas, algumas inclusive cancerígenas. O alcatrão e a nicotina são exemplos dessas substâncias maléficas ao organismo. Essa última substância age como estimulante do sistema nervoso central, eleva a pressão sanguínea e a frequência cardíaca, diminui o apetite e desencadeia náusea e vômito. Já o alcatrão, que é formado por várias substâncias, está ligado a doenças cardiovasculares, câncer, entre outras.” (...) “Os chamados fumantes passivosquando comparados a grupos que não possuem contato com o tabaco, possuem risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão e doenças cardiovasculares e respiratórias, como a asma e pneumonia. Além disso, bebês de mães fumantes podem nascer prematuramente ou então apresentarem baixo peso após o nascimento.” (INCA). Em outras palavras, o vício do consumo de fumo e tabaco não deixa ninguém de fora, seja consumidor direto ou indireto.

É imperioso estancar as causas desse desastre social, um dos mais mortíferos do mundo, com efeitos danosos, diretos e indiretos, para a sociedade de forma integral. A solução é parar de fumar e interromper o consumo de produtos oriundos do tabaco, sejam eles naturais, industrializados ou consumidos por dispositivos eletrônicos.

A guerra contra o tabaco tem que ser radical em nível individual e coletivo. Depois de interromper o consumo de fumo ou tabaco, os prejuízos à saúde podem ser remediados. Um ano sem fumar e ou consumir produtos ligados ao tabaco os riscos começam a se arrefecer. Sem fumar durante 10 anos, os riscos de infarto e câncer em ex-fumantes começam a fazer parte das estatísticas de não-fumantes. Se esses números forem desanimadores e o vício persistir, os fumantes que se preparem para morrer antes, em muitos casos com muito mais sofrimento, além dos prejuízos afetivo-familiares, sociais e financeiros para os que ficam.

As políticas de Saúde Pública têm que ser incrementadas para este combate, todos os segmentos da sociedade organizada são responsáveis, o fumante e consumidor de produtos do tabaco também.

Quando o tecido do corpo social adoece, todos adoecem! O Novo Coronavírus está aí como demonstração viva dessa interdependência social. Não há a menor dúvida que o consumo de fumo e tabaco é uma pandemia, só que da pior espécie por ser resiliente e muito difícil de combater, contra a qual não há vacina no sentido tradicional.

Assim como o combate à Covid-19, essa guerra é de todos, em que só haverá vencidos ou vencedores.

Para conhecer os danos de algumas formas de consumo do fumo, consultar: http://www.cepad.ufes.br/conteudo/entenda-como-cada-forma-de-consumo-do-tabaco-%C3%A9-prejudicial-%C3%A0-sa%C3%BAde

(Artigo escrito com base em dados da OMS, INCA e IBGE)

Escrito por:

  • Depoimento - Waldomiro Peixoto
    Waldomiro Peixoto
    Consultor Técnico Woson