Secagem Absoluta Pós-Esterilização

Secagem absoluta pós-esterilização - Veja nosso guia.

Todo processo de esterilização para ser eficaz, deve seguir um protocolo. “Cada etapa do processamento do instrumental cirúrgico e dos produtos para saúde deve seguir o Procedimento Operacional Padrão – POP elaborado com base em referencial científico atualizado e normatização pertinente” (Art. 24 da Resolução RDC 15, de março de 2012). Esta Resolução “dispõe sobre requisitos de boas práticas para os processamentos de produtos para saúde e dá outras providências”.

De forma sucinta, as fases do POP são: pré-lavagem, lavagem ultrassônica, enxágue com água filtrada ou purificada, secagem do material com ar comprimido, embalagem, datação, esterilização em autoclave, verificação da qualidade de secagem dos pacotes no final do processo de autoclavagem, armazenagem e reuso.

Nossa sugestão é que a Resolução RDC 15 seja estudada, observada e praticada na íntegra pelo responsável da Central de Materiais e Esterilização, CME, do consultório ou clínica.

Para que a cadeia de proteção aos profissionais e pacientes não seja rompida, nenhum procedimento protocolar pode ser negligenciado. O responsável pela CME deve lembrar-se sempre que “pacote molhado ou úmido é pacote recontaminado.” Daí a importância da SECAGEM ABSOLUTA depois da fase de esterilização da autoclave. Não é aceitável secagem que não seja absoluta. Nada menos que ‘absoluta’!

Para atingir este resultado, muitos cuidados precisam ser tomados como: boa qualidade do envelope de papel grau cirúrgico, qualidade da selagem dos envelopes, técnicas de acondicionamento do material dentro dos envelopes e dos envelopes dentro das bandejas da autoclave, qualidade da secagem da autoclave, correta manipulação pós-esterilização dos envelopes e correta armazenagem em local adequado (ver Artigo 58 e ss).

Qualquer procedimento fora do POP pode comprometer o elo “secagem absoluta” e pôr a perder a corrente de proteção contra recontaminação do material e consequente infecção dos profissionais e pacientes.

Os envelopes com papel grau cirúrgico são cortados e selados conforme necessidade e tamanho do instrumental a ser esterilizado.  Esse papel compõe-se de uma lâmina de plástico transparente e outra de SMS, este um tri-tecido laminado, com três mantas de filamentos aleatórios unidos termicamente. As duas lâminas spunbond externas são feitas de fibras 100% polipropileno de estrutura plana, flexível e porosa, mecanicamente resistente, e a lâmina meltblown interna possui estrutura microbiana com barreira de até 3 µ, para retenção de microrganismos e outros elementos, termo fundida entre as duas camadas spunbond. Saiba mais clicando aqui!

                                                               

                                                                      SMS – Spunbond-Meltblown-Spunbond

A escolha do papel grau cirúrgico e da seladora deve atender critérios de qualidade para não comprometer o processo. Uma selagem de má qualidade pode romper-se dentro da autoclave, a partir do momento em que sofre as ações do vapor sob pressão, ou durante sua manipulação, antes ou depois da esterilização, e perder a esterilidade do material autoclavado.

O acondicionamento do material dentro do envelope também é importante. Algumas dicas são colocar carga de materiais semelhantes (metal com metal, por exemplo), cortes de instrumentos protegidos do contato com outras superfícies para evitar danos, extremos pontiagudos protegidos para não furar o envelope e, por fim, não encher demais o envelope. Da mesma forma, o acondicionamento dos envelopes dentro das bandejas deve prever espaço entre eles para favorecer a ação do vapor e, principalmente, a secagem depois da esterilização, além de atentar para as faces do pacote ficarem na disposição plástico-plástico e SMS-SMS. Há dispositivos no mercado que facilitam a colocação dos envelopes nas bandejas, impedem o contato das faces e racionalizam o espaço das bandejas. Todos os cuidados devem ser no sentido de favorecer a secagem absoluta.

Quando o papel grau cirúrgico é submetido ao processo de autoclavagem, os poros do SMS se abrem para o vapor agir. Quando os envelopes secam, os poros se fecham para proteger a esterilidade do material. A secagem absoluta é responsável por recuperar a resistência mecânica do SMS, muito importante para sua manipulação. Em pacotes não secos adequadamente há entrada de microrganismos pela porosidade não fechada, além de rasgar ou furar facilmente. Por isso, o princípio de que ‘pacote molhado ou úmido é pacote contaminado” dever ser sempre considerado.

Dois elos da cadeia protocolar também a considerar são manipulação e armazenagem. Os pacotes precisam estar totalmente secos, com selagem absoluta e seu tecido com adequada resistência mecânica e protegidos contra qualquer tipo de dano para serem manipulados com segurança. A manipulação deve ser cuidadosa e o transporte feito em suportes adequados para minimizar riscos de danos do tecido grau cirúrgico. A armazenagem pede local adequado à manutenção da esterilidade até o momento do reuso. Conforme a Resolução RDC 15 “a sala de armazenamento e distribuição de produtos para saúde (...) deve ser dimensionada de acordo com o quantitativo dos produtos e dimensões dos mobiliários utilizado para armazenamento (Art. 59). O armazenamento (...) deve ser centralizado em local exclusivo e de acesso restrito, não podendo ocorrer em área de circulação, mesmo que temporariamente (Art. 60). As prateleiras devem ser constituídas de material não poroso, resistente à limpeza úmida e ao uso de produtos saneantes” (Art. 61).

Como o usuário pode observar, todos os cuidados acima têm a ver com as condições ideais para a manutenção da esterilidade do material e a redução de riscos de contaminação de profissionais e pacientes.

Para saber mais consulte: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2012/rdc0015_15_03_2012.html

Escrito por:

  • Depoimento - Waldomiro Peixoto
    Waldomiro Peixoto
    Consultor Técnico Woson