Síntese dos Procedimentos Operacionais Padrão – POP em Centros de Materiais e Esterilização – CME

No intuito de colaborar e prestar informações qualificadas, a Woson apresenta, de forma resumida, os Procedimentos Operacionais Padrão - POP essenciais nos Centros de Materiais e Esterilização - CME dos consultórios médico-odontológicos.

O que segue são apenas sugestões, porque sabemos que, a cada construção e instalação de um centro de tratamento e respectivo CME há problemas e soluções específicos que requerem projeto e planejamento também específicos, porém – e isso é obrigatório – sempre com embasamento na RDC 15, de março 2012, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, do Ministério da Saúde.

A RDC 15, em sua Seção I, afirma que o seu objetivo é “estabelecer os requisitos de boas práticas para o funcionamento dos serviços que realizam processamento de produtos para a saúde visando à segurança do paciente e dos profissionais.” E, na Seção II, que “se aplica aos Centros de Material e Esterilização – CME dos serviços de saúde públicos e privados, civis e militares, e às empresas processadoras envolvidas no processamento de produtos para a saúde.”.

Sugerimos sua leitura na íntegra por tratar de temas relevantes na rotina do médico-odontólogo como: barreira técnica, cenário de rotinas, tipos de CME, consultório individualizado, controle da qualidade de processo, embalagem (datação, integridade, resistência, manuseio, estocagem e rotatividade), embalagens específicas para esterilização, tipos de desinfecção, tipos e uso de detergentes, tipos de limpeza, criticidade dos materiais, materiais quanto à complexidade de esterilização, qualificações (de instalação, operações e desempenho), rastreabilidade, resíduos e responsabilidades legal e técnica. São temas que exigem redobrada atenção do profissional de saúde.

Acesse a RDC 15 clicando aqui!

Existem 2 tipos de CME – os que processam materiais não críticos, semicríticos e críticos não complexos e os que processam materiais não críticos, semicríticos e críticos, porém de conformação complexa. Basicamente trataremos, neste artigo, do primeiro tipo.

A ANVISA determina que os produtos críticos só podem ser submetidos à esterilização depois de rigoroso processo de limpeza, sendo recomendada, inclusive, a lavagem ultrassônica como complemento do processo. Que os semicríticos devem sofrer minimamente processos de desinfecção depois de rigorosamente limpos. E que os não críticos, pelo menos a um processo rigoroso de limpeza. Determina ainda que o fluxo de materiais segue o critério “da área suja para a área limpa”. Na primeira são recebidos os materiais ainda contaminados para submeter a processos de limpeza adequado, até chegar à segunda, de onde saem esterilizados para a reutilização imediata ou armazenamento.

Este processo, seguindo o fluxo áreas sujalimpa, inclui cuidados gerais de manipulação imediatamente depois do uso para ser conduzido com segurança até o CME, onde se dão “limpeza, inspeção, preparo e acondicionamento, esterilização, armazenamento e devolução para o serviço de saúde” (RDC 15, art.19). “Cada etapa do processamento de instrumentos cirúrgicos e dos produtos para a saúde deve seguir o Procedimento Operacional Padrão – POP elaborado com base em referencial científico atualizado e normatização pertinente.” (RDC 15, art. 24).

Atenção! Para rastreabilidade, os POP’s devem estar documentados, registrados e disponibilizados por um período de 5 anos para consulta das autoridades sanitárias.

Recomendam as boas práticas que o profissional que cuida e gerencia o CME seja capacitado e treinado para saber classificar materiais quanto à criticidade para fins de desinfecção e/ou esterilização, dominar conceitos mínimos de microbiologia e de gestão de materiais, realizar procedimentos com o rigor técnico recomendado pela ANVISA, saber aplicar e interpretar monitoramentos químicos, biológicos e físicos, bem como rastreabilidade dos materiais esterilizados, armazenamento e técnicas de manutenção da esterilidade.

Também recomendam as boas práticas que o responsável pelo CME e sua equipe conheça conceitos indispensáveis mínimos de Segurança e Saúde no Trabalho, uso correto de Equipamentos de Proteção Individual – EPI, em vista da saúde própria, dos profissionais e dos pacientes. Tenha, inclusive, conhecimento e preparo técnico para buscar serviço especializado alternativo para processamento de material de alta complexidade se o CME sob sua responsabilidade não reunir condições para tanto (ver RDC 15, art. 8).

O CME que processa materiais não críticos, semicríticos e críticos não complexos deve ter minimamente:

  1. Área de recepção e limpeza de material contaminado (setor sujo);
  2. Barreira física entre setor sujo e limpo;
  3. Área de preparo e esterilização de material (setor limpo);
  4. Local de desinfecção química (setor limpo);
  5. Área de monitoramento (setor limpo);
  6. Área de armazenamento e distribuição de material esterilizado (setor limpo);
  7. Recomenda-se: por onde circular material sujo não circular material esterilizado.

 

A dimensão do espaço desse CME deve ser suficiente para;

  1. Manipular material contaminado;
  2. Expurgar, em conformidade com a ANVISA, perfurocortantes e resíduos biológicos;
  3. Lavar mecanicamente os materiais em cuba profunda com jato de água abundante;
  4. Lavá-los ultrassonicamente – prever lavadora US);
  5. Manipular material limpo e secar com ar comprimido – prever pistola de ar isento de óleo e umidade;
  6. Inspecionar visualmente o material limpo e seco e reprocessar a limpeza se necessário – prever lupa ou microscópio;
  7. Embalar, selar e rotular nome, data de esterilização e validade – prever seladora;
  8. Esterilizar – prever autoclave e destiladora ou purificador de água por osmose reversa;
  9. Armazenar e fazer gestão da esterilidade do material – prever local seco, aberto e aerado.
  10. Prever uma 2ª cuba na área limpa para evitar contrafluxo de material e contato de material limpo com cuba da área suja.

Para a construção de CME para processamento de materiais complexos, consultar RDC 15, art. 47 a 61).

 

Considerar ainda:

  1. Na limpeza manual, a fricção deve ser com materiais não abrasivos e que não liberam partículas;
  2. A limpeza manual deve ser complementada com limpeza ultrassônica, esta obrigatória nos casos em que o produto tenha lúmen igual ou inferior a 5mm;
  3. O enxágue de material para intervenções cirúrgicas críticas tem que ser feito com água purificada;
  4. É altamente recomendável que limpeza de material crítico, principalmente com lúmen, seja feito com pistola de água sob pressão e secado com ar comprimido medicinal, produzido por compressores isentos de óleo e rede de ar comprimido com tratamento contra umidade;
  5. Toda limpeza deve ser inspecionada por instrumento de aumento no mínimo 8 vezes;
  6. A embalagem e sua soldagem (selamento) devem ser resistentes a manipulação e transporte;
  7. “Não é permitido o uso de embalagens de papel Kraft, papel toalha, papel manilha, papel jornal e lâminas de alumínio, assim como embalagens tipo envelope de plástico transparente não destinados ao uso em equipamentos de esterilização.” (RDC 15, art. 79);
  8. “Não é permitido o uso de caixas metálicas sem furos para esterilização de produtos para saúde.” (RDC 15, art. 81);
  9. “Não é permitido o uso de embalagem de tecido de algodão reparadas com remendos ou cerzidas e sempre que for evidenciada a presença de perfurações, rasgos, desgaste do tecido ou comprometimento da função de barreira, a embalagem deve ter sua utilização suspensa.” (RDC 15, § único);
  10. A identificação dos rótulos dos materiais tem que estar legível depois da esterilização e mostrar nome do produto, lote, data e validade. Se o CME utilizar mais de um método de esterilização, deve anotá-lo no rótulo;
  11. O monitoramento da esterilização deve ser feito com integradores químicos classe 5 ou 6 (RDC 15, art. 96). Com indicador físico, a cada ciclo de autoclavagem (RDC 15, art. 97). Monitoramento de implantáveis, com indicador biológico a cada carga (RDC 15, art. 98);
  12. O indicador biológico deve ser utilizado diariamente e posicionado dentro da câmara de esterilização no ponto de maior desafio ao processo de esterilização (RDC 15, art. 99);
  13. Produto autoclavado liberado para utilização, somente se o resultado do teste for negativo;
  14. Consultar RDC 15, Seção VIII, sobre desinfecção química;
  15. Consultar RDC 15, Seção XIII sobre gerenciamento de resíduos.

 

Lembramos que os procedimentos acima são considerados padrão e devem, como tais, fazer parte da rotina dos consultórios médico-odontológicos. Porém, em tempos de pandemia, muitos procedimentos especiais poderão ser adotados de acordo com as circunstâncias e orientação de especialistas.

A Woson está atenta ao que há de mais atual em termos de tecnologia e conceitos voltados para o Controle de Infecção em ambientes de saúde bem como com a biossegurança em geral, com o objetivo de tornar a atividade dos profissionais de saúde segura e prazerosa. Outros temas são tratados no blog do site www.wosonlatam.com.br com o objetivo de prestar serviço de qualidade aos clientes Woson.

A saúde e o bem-estar de todos é a energia que nos move.  

Texto escrito por

  • Depoimento - Waldomiro Peixoto
    Waldomiro Peixoto
    Consultor Técnico Woson