Dia Internacional das Mulheres

 

O Dia Internacional da Mulher é oficialmente comemorado em 08 de março desde 1921 e reconhecido pela ONU – Organização das Nações Unidas, em 1975. E o Dia Nacional da Mulher, no Brasil, no dia 30 de abril, conforme lei n.º 6791 de 1980, em homenagem a Jerônyma Mesquita (1880-1972).

Quem foi Jerônyma Mesquita? Sintonizada com o que acontecia no mundo todo, foi uma enfermeira e feminista brasileira, amiga próxima de outras intelectuais feministas como Bertha Lutz e Stela Guerra Duval. Com elas lutou pelos direitos da mulher, foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) em 1922, uma das pioneiras do direito ao voto feminino, tornando-se uma das sufragistas de 1932. Ela, Bertha Lutz e Maria Eugênia lançaram Manifesto feminista em 1934. Foi uma das fundadoras do Conselho Nacional das Mulheres (Rio de Janeiro), em 1947, fundadora da Associação das Girl Guides do Brasil, em 1919, que viria a ser a Federação de Bandeirantes do Brasil. As mulheres brasileiras devem muito a esta mulher extraordinária, uma humanista adiante de seu tempo.

O Dia Internacional da Mulher, tema central deste artigo, remonta ao final do século XIX, quando as jornadas das mulheres eram de 15 ou 16 horas e os salários irrisórios, duas formas injustas de discriminar seus direitos políticos, sociais e econômicos.

Em 1908, aconteceu o primeiro Dia da Mulher nos Estados Unidos com participação de 1.500 americanas. Em 1910, a jornalista alemã Clara Josephine Zetkin (1857-1933), propôs a Jornada Anual das Mulheres pela Igualdade de Direito. Outro fato marcante foi um incêndio em 1911 em uma fábrica de camisas, nos Estados Unidos, quando morreram cerca de 140 mulheres porque as portas estavam cerradas para que não se vissem e se conhecessem as péssimas condições de trabalho delas.

Por que dia 08 de março?

Essa data foi escolhida porque, durante a Primeira Guerra Mundial, em 1917, houve uma manifestação de 90.000 soviéticas conhecida como “Pão e Paz”, que repercutiu no mundo todo. A fome e a guerra revelavam as situações atrozes por que passavam as heroicas mulheres russas e o nome da manifestação não poderia ser mais pertinente e carregado de significado. Em 1921, a data 08 de março foi oficializada.

Chega a Segunda Revolução Industrial no século XX, mas as mulheres continuaram sendo exploradas como mão de obra barata. Desde então os protestos sociais nunca mais pararam e vieram a reboque os protestos políticos em busca do direito ao voto e à participação nos processos eletivos, bem como nos destinos das grandes corporações mundo afora.  

Nos Anos Sessenta os movimentos feministas tomaram grande vulto, consequência de nomes importantes ligados à literatura e outras formas de arte, pensamento e de comunicação, utilizando as mais variadas linguagens. Vale a pena lembrar alguns nomes emblemáticos dos movimentos contemporâneos de emancipação das mulheres como Maria Curie, Virgínia Wolf, Margareth Atwood, Gioconda Belli, Angela Carter, Isabel Allende, Laura Esquivel, Simone Beauvoir, Gertrude Stein e tantas outras. No Brasil, Nísia Floresta, Chiquinha Gonzaga, Jerônyma Mesquita, Bertha Lutz, Clarice Lispector, Leila Diniz, Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, Therezinha Zerbini, Ruth Cardoso, Zilda Arns e Rose Marie Muraro.

Entre tantas brasileiras, um nome se destaca: Rose Marie Muraro (1930-2014), certamente a escritora, intelectual e feminista mais influente de todos os tempos em nosso país, uma combatente ferrenha no mundo das ideias e defesa dos oprimidos, respeitada internacionalmente. Publicou mais de 40 obras importantes tendo, na maioria delas, a mulher como protagonista. Como diretora da Editora Vozes cumpriu um papel relevante na consolidação da emancipação da mulher, junto aos movimentos de base. Os avanços da mulher brasileira contemporânea, importantes para a nossa sociedade no Brasil e para o mundo, passam forçosamente por Rose Marie Muraro.

“A mulher contemporânea acumula vitórias como a sua inserção no mercado de trabalho, ampliação de sua liberdade sexual e reprodutiva, a conquista da independência financeira e dos direitos políticos.” (brasilescola.uol.com.br/sociologia).

Entretanto, muitas dificuldades continuam desafios presentes como: conciliar atividades da vida familiar e profissional; priorizar a atividade profissional em detrimento da vida pessoal; desempenhar com excelência os papéis de mãe, profissional, esposa, educadora, dona de casa, liderança; e incorporar atitudes e características, para ser valorizada na esfera profissional, tidas falsamente como apenas masculinas como objetividade, frieza racional e dureza nas decisões.

Muitas foram as lutas no século XIX para as mulheres chegarem fortes e unidas no começo do século XX, abrindo perspectivas para seus valores serem reconhecidos, chegar à emancipação e participação efetiva em todos os segmentos sociais no início do século XXI. O universo desafiador que se coloca neste século para a mulher de nossos tempos tem relação direta com a celeridade e magnitude de suas conquistas nas últimas décadas, com sua capacidade de enfrentar e resolver problemas de forma nova e criativa. A mulher emancipada e mais livre representa um novo olhar nas soluções dos problemas contemporâneos.

Com mulheres livres e emancipadas, o mundo tem estado outro, e melhor, porque essa nova mulher – com direito de escolha – tem papel ativo na construção de uma sociedade mais inclusiva e mais justa.

A Woson rende a sua homenagem a todas as mulheres que fazem da Odontologia uma atividade mais humana.

 

Woson

O bem-estar é a energia que nos move.  

Escrito por:

  • Depoimento - Waldomiro Peixoto
    Waldomiro Peixoto
    Consultor Técnico Woson