Esclarecendo a Bichectomia

Vamos esclarecer, baseados literatura existente, essa cirurgia que vem sendo procurada popularmente para melhorar o contorno facial. Ela é muito mais que um procedimento estético. Requer destreza, minuciosidade, precisão ao acesso e muitos cuidados e medidas biosseguras do profissional que a estará executando.

Vamos entender um pouco melhor... e com embasamento cientifico! Sem achismos... A bichectomia é uma cirurgia definitiva e resolutiva que, com indicações conscientes e adequadas, muda, de forma natural, a moldura do rosto.

HISTÓRICO

Marie François Xavier Bichat foi o médico mais importante da era do Iluminismo. Nascido em 14 de novembro de 1771, foi fundador da anatomia e histologia descritiva da medicina moderna. Filho de médico, no vilarejo de Thoirette, iniciou sua fase adulta durante a Revolução Francesa, sendo enviado a cidade de Lyon, em 1791, para estudar anatomia e cirurgia, onde, logo após, em 1793, devido ameaça da revolução invasora, teve que servir como cirurgião do exército da República.

Passados alguns anos, em 1799, abandonou a cirurgia e passou a se dedicar à fisiologia experimental, dissecação e autópsias. Conta-se que Bichat, em 6 meses, dissecou cerca de 600 corpos, resultando em trabalho excessivo, o que debilitou sua saúde e resultou em sua morte, em 1802, aos 30 anos de idade.

Seu legado, baseado em seus estudos, descobertas e princípios, levou-o a afirmar: "Quanto mais alguém observar as doenças e abrir cadáveres, mais vai se convencer da necessidade de considerar doenças locais, não do aspecto de órgãos complexos, mas de tecidos individuais."

CONSIDERAÇÕES GERAIS

A estrutura de Bichat tem como função primária a relação com a sucção e mastigação nos bebês. Outra função é servir de estrutura de deslizamento para facilitar a ação dos músculos da mastigação, como proteção dos músculos faciais sensíveis a uma lesão por forças externas.  

A Bichectomia tem se tornado mais conhecida e desejada por diversos públicos, sendo sempre planejada individualmente, tendo suas indicações precisas, atentando para a anatomia da região operada e realização do procedimento, de maneira segura, buscando o melhor resultado estético possível, em vista dos benefícios funcionais e conforto dos pacientes.

O resultado estético almejado seria delineamento dos contornos da face, face mais definida e harmoniosa. No sexo masculino evidencia-se mais a mandíbula. No sexo feminino consegue-se o “efeito blush” (sensualidade), com evidenciação do terço maxilar do rosto.

Contudo, as indicações podem ser puramente ou também terapêuticas, sendo então recomendada a cirurgia àqueles indivíduos que, com frequência, mordem a mucosa julgal por invasão do corredor bucal pela bola de Bichat, resultando também da diminuição volumétrica da face. A bola de Bichat é um coxim adiposo localizado em espaços profundos da face dividida em três lobos: lobo anterior, lobo posterior e lobo intermediário.

Durante o exame clínico, os objetivos a conseguir, com a cirurgia de bichectomia, são a diminuição do volume das bochechas e o afinamento da região infrazigomática. Com estes procedimentos, consegue-se esculpir e valorizar as características esqueléticas, obtendo-se então um resultado estético-funcional favorável.

Levando em consideração que essa estrutura se constitui de tecido de gordura, restam questionamentos no que diz respeito à sustentação da face. Não existem evidências científicas que afirmem que a Bichectomia cause flacidez facial ou até mesmo acelere o processo de envelhecimento da face. Sendo assim, pacientes que já apresentam ptose e flacidez devem ser muito bem avaliados para a indicação do procedimento por conta desta falta de sustentação tecidual já existente.

Como contra indicações do procedimento temos sobrepeso, paciente cadavérico, doenças de base não controladas, pacientes com expectativa irreal.

As principais complicações relatadas na literatura são hematoma pós-operatório imediato, edema pós-operatório inédito, parestesia, trismo temporário e infecção pós operatória. Essa última, vale ressaltar, pode ser prevenida seguindo todos os procedimentos operacionais padrão de um protocolo biosseguro. É imperioso assegurar que o material a utilizar durante a cirurgia esteja devidamente higienizado, esterilizado, com o campo cirúrgico adequado. Isso faz uma grande diferença nos resultados pós operatórios.

                          

Estamos enfrentando um momento atípico mundialmente em que os detalhes de biossegurança podem, sim, fazer a diferença nos resultados seguros oferecidos a quem se submeteu ao procedimento. O paciente precisa se sentir protegido e seguro para que se obtenham os melhores resultados possíveis. Uma biossegurança adequada protege os pacientes e, também, os profissionais.   

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MARCOS, R.B. Corpo adiposo bucal: anatomia aplicada a técnica cirúrgica, aplicações clínicas e complicações. [Dissertação de Mestrado] Curitiba: Faculdade ILAPEO; 2017.

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Escrito por:

  • Depoimento - Dra. Nicole Bettiol
    Dra. Nicole Bettiol
    Mestranda e Graduada pela USP de Ribeirão Preto Pós-graduada em Harmonização-orofacial